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Quando as baterias viram infraestrutura: Como a Coprel acompanha essa tendência

  • 26 jan 2026

Durante muito tempo, as baterias no setor elétrico foram associadas apenas a soluções de “backup”, usadas em situações emergenciais ou fora da operação principal do sistema. Esse entendimento, porém, está mudando rapidamente. O Brasil começa a incorporar o armazenamento de energia como parte estrutural do Sistema Interligado Nacional (SIN), acompanhando as transformações na matriz elétrica e na forma de operar o sistema.

Essa mudança é resultado da convergência de três fatores principais. O crescimento acelerado de fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, aumentou significativamente a complexidade da operação do sistema. Ao mesmo tempo, ampliou-se a necessidade de maior flexibilidade para responder às variações rápidas de geração e consumo. Soma-se a isso a redução consistente nos custos das tecnologias de armazenamento, especialmente das baterias de íon-lítio. Logo, as baterias deixam de ser soluções acessórias e passam a integrar, de forma definitiva, a infraestrutura do setor elétrico.

O SIN brasileiro é um dos mais complexos e eficientes do mundo. Historicamente, a base hidrelétrica e seus reservatórios funcionaram como uma “bateria natural”, oferecendo energia e flexibilidade. Essa lógica, no entanto, vem sendo pressionada. A expansão da geração solar e eólica ocorreu em ritmo superior ao crescimento da capacidade de armazenamento e da própria rede de transmissão. Embora essenciais para a transição energética, essas fontes são intermitentes e nem sempre geram energia no momento em que a demanda ocorre.

Esse descompasso cria um desafio operacional relevante: manter o equilíbrio entre geração e consumo em tempo real, garantindo estabilidade, frequência e tensão. Apoiar-se apenas em usinas térmicas ou em reforços contínuos na rede nem sempre é a solução mais eficiente ou econômica para o sistema como um todo.

É nesse contexto que os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) ganham protagonismo. Mais do que armazenar energia, as baterias modernas respondem em milissegundos às variações do sistema, fornecem potência em momentos críticos, absorvem excedentes de geração renovável e contribuem para o controle de frequência e tensão. Na prática, aumentam a segurança, a eficiência e reduzem o custo global da operação do sistema elétrico.

Um marco dessa nova abordagem é o Leilão de Reserva de Capacidade para Armazenamento (LRCAP 2026). Pela primeira vez, o Brasil realiza um certame específico para contratar potência elétrica a partir de baterias, e não apenas energia. Isso representa uma mudança importante, já que o sistema passa a remunerar a disponibilidade de potência nos momentos de maior necessidade, exatamente o tipo de serviço que o armazenamento oferece.

Os projetos contratados terão despacho centralizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, exigências técnicas robustas e contratos de longo prazo, que trazem previsibilidade aos investidores e maior segurança à operação. Na prática, o armazenamento passa a ser tratado como um recurso sistêmico, assim como os ativos de geração e transmissão.

Outro ponto é o reconhecimento da importância da localização dos sistemas de armazenamento. Em regiões com restrições de transmissão, alta concentração de renováveis ou menor robustez da rede, uma bateria bem posicionada pode evitar investimentos em reforços, reduzir congestionamentos e acelerar a integração de novos empreendimentos. Não se trata apenas de instalar baterias, mas de colocá-las onde geram mais valor para o sistema.

Esse avanço ocorre em paralelo a uma transformação mais ampla do setor elétrico, marcada pela digitalização da operação, pela automação e pelo uso intensivo de dados. A operação se torna mais dinâmica e responsiva, e o armazenamento se encaixa como um elemento-chave de equilíbrio entre geração, consumo e rede.

No cenário internacional, o crescimento do armazenamento é acelerado, impulsionado pela maturidade tecnológica e pela redução de custos. Mais do que a tecnologia em si, o diferencial está nos modelos de mercado que reconhecem e remuneram a flexibilidade como um serviço essencial para a confiabilidade do sistema.

O Brasil começa a trilhar esse caminho. Persistem desafios regulatórios e de integração com a distribuição e o mercado de energia, mas a direção é clara. As baterias deixaram de ser uma promessa e já fazem parte do presente do sistema, com papel decisivo na próxima etapa da transição energética.

O avanço do armazenamento, a modernização regulatória e a incorporação de novas tecnologias reforçam a importância de uma gestão técnica qualificada, com visão sistêmica e foco na confiabilidade do serviço. Para cooperativas como a Coprel, com forte presença regional e conhecimento profundo da rede, esse movimento representa a continuidade de uma atuação baseada em planejamento, eficiência e compromisso com a segurança do fornecimento.

A transição energética exige mais do que novas fontes de geração. Ela demanda redes preparadas, inteligentes e resilientes. Nesse cenário, a atuação de distribuidoras e permissionárias de energia, como a Coprel, será decisiva para garantir que a evolução do setor elétrico ocorra de forma equilibrada, sustentável e com qualidade para os consumidores.

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